Santiago do Chile, 7 nov (EFE).- O ex-presidente peruano Alberto Fujimori foi preso na madrugada de hoje em Santiago do Chile, aonde chegara de surpresa, por ordem do ministro da Corte Suprema chilena Orlando Álvarez.

Após ser detido, Fujimori foi levado à Escola de Investigações do Chile, segundo fontes dessa instituição, onde, de acordo com o procedimento estabelecido pela lei chilena, deve ser submetido a vários exames médicos de rotina.

Marianela Gómez, sub-prefeita de Investigações, confirmou que Fujimori está bem de saúde. Foi detectado apenas um aumento da pressão arterial devido ao cansaço e ao estresse provocados pela prisão.

Com a ordem de Orlando Álvarez fica aberto o caminho para a extradição do ex-presidente ao Peru, como haviam solicitado horas antes as autoridades de Lima por meio da embaixada do país em Santiago.

O Peru pediu a extradição de Fujimori em relação aos delitos de formação de quadrilha, falsidade ideológica, homicídio qualificado, lesões graves e desaparecimento forçado de pessoas, entre outros delitos. Por isso, o ex-presidente será levado a se apresentar ao juiz Álvarez.

Agentes da Interpol prenderam Fujimori à 1h30 (2h30 de Brasília) no hotel Marriott, onde ele estava hospedado desde que chegou a Santiago do Chile em um vôo privado, acompanhado por outras três pessoas, que não foram detidas.

Logo depois de chegar, Fujimori emitiu um comunicado dizendo que se transferira ao Chile como parte do processo de retorno ao Peru a fim de participar das eleições presidenciais de 2006.

Fujimori afirmou que seu propósito era “permanecer temporariamente no Chile, como parte do processo de retorno ao Peru, e cumprir o compromisso adquirido com um grande setor do povo peruano” que o “convocou para participar como candidato à Presidência da República no pleito de 2006″.

O porta-voz do Governo chileno, Osvaldo Puccio, confirmou que a embaixada do Peru em Santiago entregara às autoridades do país uma nota pedindo a extradição de Fujimori o mais rápido possível.

“Agora os tribunais chilenos é que têm que decidir a situação do senhor Fujimori”, dissera Puccio momentos antes de o ex-presidente do país vizinho ser preso.

O embaixador peruano no Chile, José Antonio Meier, chegou ao Palácio da Moeda (sede do Governo chileno) por volta da meia-noite para entregar pessoalmente uma nota oficial solicitando a detenção preventiva de Alberto Fujimori.

“Fiz a entrega, seguindo instruções de meu Governo, de uma nota oficial e formal ao Governo do Chile solicitando a detenção preventiva, com fins de extradição, do cidadão foragido da Justiça peruana Alberto Fujimori”, afirmou o diplomata.

O tratado em vigor entre os dois países estabelece que a nação que pede a extradição tem um prazo de dois meses para apresentar os antecedentes.

Segundo a Anistia Internacional, Fujimori, que tem dupla cidadania – peruana e japonesa – e estava refugiado no país asiático desde o ano 2000, enfrenta várias ordens de captura internacional ligadas a delitos de lesa-humanidade e seqüestro.

Marianela Gómez confirmou que havia várias ordens contra o ex-presidente peruano, que estava no Chile com visto de turista e entrara no país com passaporte peruano, e não japonês.

A sub-prefeita de Investigações disse ainda que a prisão de Fujimori tinha que acontecer devido a uma decisão judicial, pois as ordens internacionais de detenção não têm valor jurídico no Chile.

A embaixada do Peru no Japão expressou sua surpresa com a repentina partida de Fujimori.

Fonte: Uol Notícias